quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O TEMPO...

Como já dizia o poeta...

Ah que saudades que tenho da minha infância!

Da fragilidade

Da docilidade

E da inocência dos olhos de criança.

Do tempo que achávamos que todos eram imortais,

Que nossos pais eram super-herois de gibis

Que eles, e apenas eles, eram responsáveis por nosso futuro.

Nosso mundo cabia em nossa casa.

Pois, a casa era nosso mundo.

Por que o tempo tinha de passar?

Por convenção?

Por obra do destino? Por teimosia?

Não, apenas por inveja.

O tempo é um senhor invejoso,

Invejoso e ansioso.

O tempo não gosta de ver os seres humanos felizes

Por isso insiste em passar tão rápido.

Para que nossa felicidade acabe

E ele possa ser o senhor absoluto da vida.

Pois, vida é tempo.

Tempo é volátil.

Logo a vida é frágil

E passageira.

Nos deixando assim

Sempre, sempre

E sempre

A um suspiro do fim.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Fugidia


Cansei dos olhares fugidios

Dos lábios flácidos

E dos últimos beijos.

Cansei, cansei de esperar

Pelo dia que o amor irá bater a minha porta.

Cansei de sonhar acordada,

Cansei de acreditar nas pessoas.

Cansei de desistir, mas porque ainda desisto?

Cansei de existir, mas porque ainda existo?

Cansei de sentir a hipocrisia.

De ser a hipocrisia.

Cansei do esforço

Do cansaço

Do respirar, enfim, do pulsar.

Mas o pulso ainda pulsa e

Eu me sinto cansar.

Cansei do gostar por gostar

Da agenda setting

Das leituras por obrigação

Da vida por viver.

Quero viver intensamente

Não provar beijos passageiros

Arriscar-me mais...

Amar mais.

Sentir mais.

Mas, simplesmente cansei.

Brumas, cigarros e café.

Iguais e diferentes.
Um tudo e um nada.
Desejavam-se e repudiavam-se.
Sempre e nunca.


As brumas do passado faziam-se presentes naquele instante. Em meio a névoa de seus pensamentos e a fumaça do cigarro a única coisa nítida era o gosto do café em sua boca. Seus olhos vislumbravam imagens que não estavam ali naquele instante, seus pensamentos vagavam em mares turbulentos de outrora, mas as sensações que produziam eram tão reais que ele sentia seus músculos tensos, como gostaria de voltar no tempo e mudar tudo o que tinha feito de errado. Mas, o que havia feito de errado? Não sabia. Já havia cogitado inúmeras hipóteses, na maioria delas suas palavras eram culpadas pelo que tinha acontecido entre os dois. A palavra os aproximara e, também, os afastara.
Tudo era tão irreal, eles sempre se conheceram, se desejaram, porém nunca trocavam mais do que tímidos “ois”, “bom dia” ou “boa noite”. Fora tudo tão repentino, em uma noite, que tinha tudo para ser apenas mais uma noite, ele havia descoberto seu beijo, seu toque e seu perfume. E agora, ali em meio a fumaça de seu cigarro, se via viciado em sua presença, sua autenticidade e sua docilidade. Sentia falta do seu beijo e de seu cheiro. Queria sentir seu calor e o seu toque novamente.
A saudade amargava em sua língua. Ou seria o café? Não sabia, sabia apenas o que gostaria de sentir novamente. Seu coração pulsava com as lembranças de uma noite fugidia, uma noite na qual conhecera a docilidade do desejo e a melancolia da separação. Uma noite que era para ser apenas mais uma noite e ficara cravada em sua memória, assim como uma escultura na pedra. Ele a desejava, ao menos por uma última vez, isto era fato. Mas, desejos não se realizam ao menos em seu mundo.
E assim, enquanto na vitrola Pink Floyd tocava “Wish You Were Here”, o ar de melancolia tomava conta do lugar, as brumas cobriam seus olhos e seu café, antes fumegante, esfriara sobre a mesa. Do cigarro restaram apenas as cinzas soltas, junto com as brumas de seu pensamento.